Ditadura eleitoral: hora de tirar as mordaças da gaveta e curvar-se
E
vai começar oficialmente o processo eleitoral de 2012, uma verdadeira
festa da democracia. Um paraíso para o jornalismo político, certo?!
Errado. É um inferno. Paraxodalmente, o pior momento pra quem faz
análise, interpretação e leituras acerca dos movimentos políticos. E
olhe que deveria ser o período de mais fértil produção. É que, em razão
da rigidez da legislação, quase tudo passa a ser crime, passível de
pesadas multas. Quiçá até pensar seja crime, nestes tempos.
E não me venha dizer que basta ser imparcial. Não se trata disso.
Criticar ou elogiar (desde que sem bases mentirosas) não pode ser uma
imposição legal. Um elogio não pode incluir todo mundo. Como também não
pode uma crítica. Mas a lei, em época eleitoral, exige que você dê uma
opinião igual pra todos. É você achar bonito o jingle da campanha de um
candidato e, pela frieza da lei, ser obrigado a dizer que todos os
demais jingles dos demais candidatos são bonitos. Mesmo não sendo.
Absurdo. Mas é a isso a que estão vulneráveis o colunista político,
o radialista e até o ouvinte dos programas nestes tempos de ditadura
eleitoral.
Claro que é louvável e extremamente necessário que se coloquem
algumas regras pra coibir abusos favoráveis ou desfavoráveis a este ou
aquele candidato preservando o tal “equilíbrio do pleito”. O problema é
que a legislação aplica a mordaça na imprensa, mas mantém outras
aberrações que assassinam a equidade da disputa.
O tempo de televisão e o financiamento de campanha são exemplos
claros que o processo eleitoral está longe de ser equilibrado no Brasil.
Ora, um candidato que tem dez minutos não pode ser igual ao que tem
apenas dez segundos de Guia. Nem o que tem dez mil reais pode ser igual
ao que arrecadou dez milhões. Quem pode mais, sai na frente e pronto.
Não há equilíbrio coisa nenhuma.
Como não conseguem conter essas desigualdades, os legisladores e,
por tabela, os julgadores descontam na imprensa, que passa por uma
vigilância tamanha que dá até medo de informar.
Na eleição de 2010, levei uma multa eleitoral simplesmente por ter
informado que Cássio Cunha Lima fez um exaltado discurso pra Ricardo
Barbosa, o único deputado a quem declarou voto em Campina. Pela lei, eu
teria que ter destacado ao menos um discurso de alguma liderança
política como Cássio em favor dos 400 candidatos a deputado estadual.
Façam-me o favor. Não há como informar, opinar e interpretar o
cenário eleitoral com essas amarras exageradas. Esperamos que, nesta
campanha, a Justiça Eleitoral possa ter o bom senso de separar o abuso
da imprensa do abuso do Judiciário, mantendo sim o equilíbrio do pleito,
preservando os candidatos, mas sem tirar o direito sagrado do
jornalista em se expressar e do cidadão em se informar. Este é o momento
em que mais o cidadão precisa de conteúdo informacional pra fazer a
melhor escolha.
De toda forma, como lei é pra se cumprir, bravos companheiros
jornalistas, nos curvemos a partir de hoje para nos encaixarmos. O blog,
desde já, suspenderá o espaço dos comentários dos leitores. E, quem
sabe, reduzirá o impacto de suas notícias.
Mandemos de férias a liberdade.
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